10/10/2004 Vigias decidem quem entra e sai de hospitais públicos da Capital
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Quem entra nos hospitais públicos da Capital já se acostumou com a cena. Contratados para fazer a segurança das unidades, os vigias acabam atuando como as principais ou únicas fontes de informação para os pacientes que chegam a procura de auxílio. Decidem quem pode entrar ou sair do pronto-socorro, barram acompanhantes e, muitas vezes, perguntam até qual é o problema de saúde do paciente antes de indicar o local da triagem.
Os resultados são dificuldades de acesso para os pacientes nas próprias unidades, desorganização e falta de informação. Em vários hospitais públicos da Capital é uma tarefa árdua entrar no PS. Alguns têm portas em que apenas um paciente passa por vez e isso só com o aval do segurança. “Hoje, muitas vezes, é um guarda quem decide quem entra e sai do hospital e isso precisa acabar”, afirma Regina Benevides, coordenadora da Política Nacional de Humanização do Sistema Único de Saúde (SUS) do Ministério da Saúde.
O Jornal DIÁRIO visitou 10 hospitais públicos — estaduais e municipais — de São Paulo e constatou que em oito deles os seguranças assumem o papel de recepcionistas. Já na entrada, encarregam-se de perguntar onde o paciente vai antes mesmo que ele passe pela porta. Também indicam filas e dão informações sobre qual profissional procurar no atendimento. Além disso, decidem o momento em que a pessoa deve entrar no pronto-socorro e se ela pode ou não levar acompanhante.
A propósito dessa "aberração" do ponto de vista da cidadania, faço coro à reportagem sobre o tal "controle de vigilância" que existe em hospitais públicos. Na região, quem já necessitou levar alguém ao Hospital Santa Marcelina do Itaim Paulista, sabe do que fala a reportagem e do que disse o leitor que publicou o primeiro comentário sobre o assunto nesta página. Uma política equivocada, discricionária, que reserva aos cidadãos que sustentam o hospital a categoria de "idiotas", "incômodos" ou seja mais mais o que os seus formuladores dessa idéia pensaram ou pensam. Vale frisar que o citado hospital tem apenas a "fachada" de particular, uma vez que é 100% sustentado pelo Estado (recursos dos mesmos que são entregues ao bel-prazer dos guardas...). Isso não é novidade em se tratando da condução política dos atuais governantes do Estado de São Paulo. Enfim, essa situação só vem confirmar o que se comentava acerca da qualidade do atendimento prestado por aquela instituição que, diga-se de passagem, reserva o frio, a chuva e a má-educação dos tais "vigilantes" ao povo que dela precisa.
10/10/2004 - Paulo Antonio de Oliveira
Bairro: Itaim Paulista Cidade: São Paulo/SP
Com relação a reportagem sobre os supostos "Seguranças de Hospitais", tenho a dizer que o texto é, talvez, pouco abrangente, porém real.
Usuário da unidade Itaim do Hosp Sta Marcelina, posso afirmar que é pura verdade.
Acompanhando minha esposa para consultas e exames fui inúmeras vezes barrado, enquanto acompanhante. Todavia, mulher acompanhando mulher entra à vontade.
Daí dá para se tirar três conclusões: 1º- Os tais "seguranças" não são gays, 2º- Eles desconhecem ou não respeitam a legislação que permite a presença do acompanhante e 3º- Quem manda são eles.
Outro ponto a se verificar é quanto a marcação de consultas e exames. Estive lá para marcar um exame para minha mãe, de 81 anos, e fui informado de que só havia vaga para daí a 3 meses e meio. Minha esposa foi alguns dias depois e marcou para aproximadamente 20 dias. Será que é porque eu não uso saia?
A mais ou menos 10 meses, meu filho estava com sintomas clássicos de apendicite. Fui ao Sta Marcelina Itaim, onde informei o possível diagnóstico. Depois de esperar por 1 hora e 40 minutos sem atendimento, com o filho já quase desmaiando de dor, resolvi ir ao Hosp Tide Setúbal em São Miguel onde, após informar o possível diagnóstico, fomos imediatamente atendidos pelo Cirurgião de Plantão na Emergência, que confirmou meu diagnóstico e realizou a cirurgia algumas horas depois.
Será que me enganei. Sempre pensei que todos os médicos, devidamente formados, teriam a mesma capacidade de conhecer a urgência e a periculosidade de uma Apendicite. Eu que sou um leigo, sei.
Já passou da hora da população se mobilizar e exigir seus direitos, afinal, esses "profissionais", sejam médicos, atendentes ou seguranças, são pagos por nós, através de impostos, e podemos quase dizer que são "nossos empregados", estando lá para nos servir da melhor maneira possível.
Está na hora de dizer: ACORDA CIDADÃO.........
Ao invés de reclamar sentado no sofá, que tal participar?